O Mundo dos Titãs

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Autor: Edson Fernandes da Costa | Revisor:Danilo Nascimento da Silva

 

Um pouco mais tarde eu segui com os irmãos Roni e Rania que também acompanharam a tudo obviamente e estavam me elogiando, impressionados por toda a batalha. Eu apenas disse que não era nada demais e tentei parecer o mais humilde possível. Os irmãos sempre me observavam de longe e às vezes chegavam perto, mas como protetores só ficavam perto mesmo durante essas viagens, no castelo sempre tentavam me dar a máxima privacidade possível, principalmente enquanto eu resolvia meus problemas como por exemplo as conversas entre as princesas.

― E sobre sua história com Hina? A separação de vocês é mesmo séria? ― Roni perguntou mesmo assim. Fiquei contente dele não se lembrar mais do meu desaparecimento do quarto. Rania ficou me olhando toda esperançosa enquanto aguardavam minha resposta.

― Aconteceu, eu não sei como tudo acabou assim ― disse sem graça disfarçando. Rania e Roni pareceram entender meu jeito de não querer se explicar e deixaram essa história de lado.

            No ninho eu me senti extremamente aliviado quando vi Lilithi viva e bem, eu a beijei tantas vezes que perdi as contas. E claro fizemos um sexo fenomenal. No quarto quando acabamos ficamos deitado na cama conversando.

― Tenho mesmo que ir pra longe de você? ― perguntou ela, ainda não estava conformada com a decisão.

― Tem sim, essa é a única forma de garantir sua segurança até tudo isso acabar ― disse com o braço cruzado por trás de sua cabeça massageando seu ombro.

― Vocês já decidiram a data de ataque? ― perguntou ela com uma mão em meu peito, seu corpo estava de lado virado para o meu que estava deitado de costas.

― Será daqui uma semana, Yasmin disse que precisava convocar os Iluminados porque eles tem a localização exata de Órion ― expliquei.

― Então não vão precisar que eu diga o caminho ― observou ela.

― Quando tudo isso acabar, iremos embora desse lugar, eu vou te buscar nos ligados e então viveremos nossa vida, bem longe daqui ― disse olhando ela de lado, ela sorriu.

― Então iremos nos casar?

― Eu duvido que possamos fazer isso em paz, várias pessoas irão atrás de nós e não me refiro apenas aos Iluminados ― respondi de volta com um certo pesar na voz, eu e Lilithi ficaríamos juntos no fim mas jamais teríamos uma vida tranquila se nos descobrissem e quando ela percebeu isso fez uma expressão mais triste.

― Acho que você tem razão ― concordou ela olhando para o teto, eu estava com o rosto virado olhando seu lindo rosto, então também voltei a olhar o teto.

― Existe um lugar que podemos ter uma vida em paz, a Terra, mas Akasha me passou uma visão assustadora naquela época e tenho medo de sair desse lugar e algo pior ocorrer ― expliquei.

― Meu amor ― disse ela e aquilo soou meio estranho, eu e Lilithi tínhamos a maior intimidade mas nunca falávamos assim um com o outro, então eu me virei surpreendendo ela. ― O que foi? ― perguntou, ela ia dizer algo mas eu a atrapalhei.

― Nada só foi estranho a maneira que você disse ― expliquei.

― Meu amor? Os casais se tratam assim, você não sabia? Meu bem, minha paixão, existem muitos nomes ― explicou ela rapidamente corando um pouco o rosto.

― Acho que é porque não combina com você falando assim ― disse sorrindo e beijei o rosto dela.

― Eu vou me acostumar e você também, casados ou não viveremos juntos até o fim dos tempos quando tudo isso se resolver e enquanto se resolve ― observou ela voltando a me olhar.

― É claro que sim meu bem ― disse parecendo bem sério, isso fez ela rir.

― Agora, por que você tá rindo? ― perguntei já desconfiado que fosse pelo modo que a chamei.

― É que você também fica estranho me chamando assim ― disse ela.

― Foi você que começou, eu só estava tentando me encaixar ― disse e a beijei nos lábios porque ela estava virada pra mim, por alguns segundos fechamos os olhos.

― Hoje você me beijou tantas vezes e fez com muita vontade… estava com tantas saudades assim? ― perguntou ela curiosa.

― É que eu amo muito você, quando te vejo não consigo pensar em qualquer outra coisa ― respondi, mas isso me fez lembrar o outro tempo em que ela havia morrido.

― Agora sim pareceu natural ― disse ela sorrindo.

― Você achou meu amor? Hahahaha ― eu ri, ela sorriu e subiu por cima de mim. Estávamos nus com a coberta por cima de nossos corpos, como ela se sentou toda a coberta desceu revelando nossa nudez.

― Eu mal encostei aqui e você já ficou duro de novo ― disse ela passando a mão nele.

― Você é danadinha ― disse e levei as mãos para trás da cabeça olhando seu rosto e seus seios maravilhosos.

― Sou é? ― perguntou ela puxando a pele dele e revelando a cabeça, depois levantou a bunda e encaixou na dela. Na mesma hora a sensação quente se espalhou dominando e nos consumindo de novo, ela mal se sentou e já começou a gemer, lá fomos nós em mais uma quente rodada.

            Quando finalmente paramos com tudo estávamos nos vestindo, então ela parecia querer me dizer alguma coisa mas sempre desistia, eu podia ver pelo seu olhar, ela também mexia no cabelo com mais frequência do que o comum.

― Lilithi? O que foi? ― perguntei.

― O que? Por que tá perguntando isso? ― perguntou de volta se fazendo de boba.

― Você jamais escondeu nada de mim, qual é o problema? ― perguntei preocupado.

― Nada com o que se preocupar ― disse ela tentando disfarça e então algo se passou pela minha cabeça me deixando assustado e preocupado.

― Não me diga que você está grávida? ― perguntei surpreso. Lilithi me olhou surpresa também depois começou a rir.

― É claro que não Kyoran, eu disse a você que só um milagre faria um casal de titãs ter filhos ― respondeu ela rindo em seguida levando uma mão a boca o que fez parecer tão sexy que eu quase quis começar mais uma rodada, me segurei, não podia passar o resto do pouco tempo que nos restava fazendo aquilo sem parar.

― Então por que você ta fazendo esse drama? Fala de uma vez qual é o problema ― disse me sentindo um pouco aliviado, eu estava prestes a entrar numa guerra e nossas vidas não andavam bem para pensar em crianças a essa altura.

― Eu só quero dizer que nem tudo é o que parece, você deve aceitar que existe coisas que você não entende e que às vezes nossos inimigos não são o que parecem ― disse ela.

 Aquilo me deixou extremamente confuso, Lilithi servia a Órion mesmo sendo minha namorada, certamente ela ainda se sentia como serva dele, por isso tinha me dito aquilo.

― Quer me dizer que Órion não é meu inimigo Lilithi? ― perguntei.

― Eu só quero dizer, pra você pensar bem quando tomar qualquer decisão Kyoran, não faça nada precipitado ― disse ela séria.

― Bom se é só isso não se preocupe, um grande exército vai comigo e mesmo que Eraim não queira ajudar como você me disse antes, eu ainda tenho muitos amigos e companheiros ― disse sério.

Eraim realmente não queria participar do combate, ele tinha dito logo quando eu cheguei que tinha algo importante a cumprir durante a próxima semana e que essa, fosse minha última visita pra eles, eu não deveria voltar aqui até que tudo se resolvesse.

            Eu ainda me encontrei com Sebastian para fazer algumas perguntas e para me despedir na saída do quarto.

― Tenho uma dúvida Sebastian, se eu usasse um anel divino, ele me ajudaria em batalha? Eu conseguiria me manter estável? Não seria controlado, nem meu corpo seria consumido por algum tipo de efeito especial? Como por exemplo destruir minha mão ― perguntei preocupado me lembrando Lucas.

― O senhor pretende usar o anel da Escuridão? ― perguntou Sebastian curioso.

― Não, mas caso eu precisasse usá-lo, o que faria comigo?

― No senhor que é um Semi-deus ele aumentaria o poder da sua aura tornando seus ataques mais poderosos e passaria algumas técnicas baseadas em seu elemento, coisa simples de primeiro uso, se o senhor permanecesse com ele em uso, com o tempo mais técnicas viriam e o anel iria se fundindo cada vez mais a sua aura se tornando mais forte e deixando o senhor mais poderoso ― explicou Sebastian.

― Nenhum efeito negativo? Nada com o que eu deveria me preocupar? ― perguntei aliviado.

― Sobre isso nada, mas qualquer um que reconheça o anel e saiba de seus poderes poderiam tentar tomar do senhor ― explicou Sebastian.

― Obrigado Sebastian, isso é tudo, cuide de tudo enquanto eu estiver fora ― disse e estendi a mão.

― Muito bem senhor, fique em paz e boa sorte ― disse ele sério me cumprimentando de volta. Puxei a mão de Lilithi e saímos dali andando.

            Na saída do túnel que Eraim ficava, eu fiquei encarando o dragão que estava sentado me olhando como se nada tivesse acontecendo. Lilithi estava de mãos dadas no meu lado.

― Então essa é mesmo sua decisão final? Não vai me ajudar? ― perguntei o olhando.

― Ele continua dizendo que tem um assunto importante pra resolver e que nem ele nem os ligados participarão de qualquer ataque ― disse Lilithi do meu lado.

― Eu acho que no fim sabia que você ia fazer isso comigo, mas não esperava isso de vocês ― disse me virando para os três que acabaram de chegar ao nosso lado descendo a trilha. Vanessa, Ector e Seiger me olharam um pouco sem jeito.

― Kyoran deve nos perdoar, nós seguimos as ordens da ligação, se ele não nos quer envolvidos nessa luta então não nos envolveremos ― explicou Seiger.

― Sinto muito Kyoran, eu realmente queria ir mas Eraim diz que nossa presença não será necessária ― disse Vanessa baixando o rosto, ela realmente parecia chateada sobre isso.

― Pelo menos podem garantir que manterão minha mulher segura? ― perguntei de volta, na verdade eu estava os apertando para receber essa garantia, nem eu mesmo queria que eles fossem, preferia que me garantissem que cuidariam dela.

― Pode deixar faremos isso ― respondeu Seiger me olhando nos olhos.

― Com certeza ― concordou Ector também, então eu olhei para Vanessa que por sua vez se virou para Lilithi.

― A única coisa que peço é que você se comporte, estará na nossa casa sobre o nosso teto e sobre nossas regras, posso confiar em você? ― perguntou Vanessa. Lilithi encarou os olhos verdes escuros de Vanessa.

― Eu respeitarei se tiver o mesmo respeito de volta ― disse Lilithi me surpreendendo, isso devido seu tom de voz natural, não parecia está fingindo nem forçando nada.

― Então vamos esquecer nossas indiferenças e fazer isso por Kyoran ou pelo que um dia Dante foi. Amigas? ― perguntou Vanessa e estendeu a mão para Lilithi. Até mesmo eu fiquei surpreso, Vanessa estava engolindo seu orgulho para fazer aquilo por Lilithi, eu e todos ficamos olhando a mão estendida para Lilithi.

― Eu não sei o que é amiga, mas posso tentar ser legal com você se essa sua conversa for mesmo verdadeira ― respondeu Lilithi e estendeu a mão apertando a mão dela, então as duas ficaram se olhando fixamente por alguns segundos até se soltarem. Eu fiquei muito surpreso.

― Kyoran, esse é meu pedido de desculpas por não poder ir com você de novo, espero que entenda, eu engoli meu ódio contra os domínios e estou mesmo sendo séria sobre isso, pelo menos em relação a Lilithi ― disse Vanessa se explicando. Ector e Seiger se olharam e eu vi uma concordância no olhar dele.

― Fico feliz por nunca mais ficarem desconfiando dela ou soltando piadinhas ― disse de volta e sorri para trás.

― Então é isso, partiremos mais tarde nos dragões e levaremos ela conosco ― disse Ector.

            Eu me despedi de Lilithi com um longo beijo na frente de todos sem se importar e me virei pra eles, todos um a um apertaram minha mão se despedindo e me desejando boa sorte. Eu prometi que iria voltar bem e trazendo a deusa Akasha comigo. Depois daquilo eu voltei para o castelo guardando a última imagem de um sorriso de Lilithi acenando para mim enquanto subia as trilhas saindo do ninho, ela e os ligados ficaram lá parados me olhando partir.